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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Após publicação de cartuns sobre Maomé

 França fechará 20 embaixadas.....Capa da revista francesa "Charlie Hebdo", que traz cartuns satirizando Maomé


  • Capa da revista francesa "Charlie Hebdo", que traz cartuns satirizando Maomé
A França anunciou nesta quarta-feira (19) que fechará temporariamente suas embaixadas e escolas em 20 países na sexta-feira depois que uma revista francesa publicou cartuns com o profeta Maomé. O governo teme que os cartuns inflamem ainda mais os ânimos, já acirrados após a divulgação na Internet de um filme zombando do profeta.
"Nós na realidade decidimos, como medida de precaução, fechar nossas instalações, embaixadas, consulados, centros culturais e escolas", disse um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, comentando o fechamento na próxima sexta-feira (21), dia de oração para os muçulmanos.
Os cartuns foram publicados na revista “Charlie Hebdo” e fazem uma sátira contextualizando os atuais protestos dos muçulmanos desencadeados após a divulgação do filme “A Inocência dos Muçulmanos", no qual Maomé é retratado como assassino e explorador de menores, entre outros.

Filme norte-americano revolta islâmicos..........

Foto 64 de 69 - 17.set.2012 - Dezenas de policiais ficaram feridos nesta segunda-feira (17) durante protestos violentos ocorridos em Cabul, no Afeganistão, contra vídeo de produção norte-americana que satiriza Maomé Ahmad Jamshid/AP Photo
O diretor da revista, Stephane Charbonnier, disse que a publicação não tem a intenção de “colocar mais fogo” nos protestos, “mas de usar a liberdade de expressão para comentar o noticiário de uma forma satírica”.
"Acontece que a notícia desta semana é Maomé e esse filme ruim, por isso estamos desenhando cartuns sobre o tema”, disse ele à CNN.
“O objetivo é de rir”, declarou o jornalista da revista Laurent Leger. “Queremos rir dos extremistas, todos os extremistas. Eles podem ser muçulmanos, judeus, católicos. Todo mundo pode ser religioso, mas os pensamentos e atos extremistas nós não podemos aceitar", completou ele.
O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, afirmou ainda que na França "a regra é a liberdade de expressão" e lembrou que esta tem seus limites "nas decisões dos tribunais" e que não vai tolerar "provocações". No entanto, ele afirmou que se as pessoas se sentirem ofendidas e considerarem que o direito foi ultrapassado, podem apelar aos tribunais.
O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, em discurso similar ao de Fabius, pediu responsabilidade dos meios de comunicação e anunciou que vai negar a permissão para uma manifestação de protesto pelo vídeo sobre Maomé no país.

Em 2005, a publicação de caricaturas de Maomé por um jornal dinamarquês provocou uma onda de protestos no mundo muçulmano.

Protestos ............

As manifestações contra o filme entram hoje no oitavo dia e já atingiram mais de 20 países. Pelo menos 30 pessoas morreram nos protestos, incluindo 12 em um atentado suicida executado na terça-feira no Afeganistão por uma mulher.
Ontem (18), a promotoria-geral do Egito anunciou o indiciamento de sete egípcios coptas que vivem nos Estados Unidos por terem participado na produção ou distribuição do filme. 
Os sete coptas - Adel Riad, Morris Sadek, Nabil Bissada, Esmat Zaklama, Elia Bassily, Ihab Yaacoub e Jack Atallah - foram acusados de "insultar a religião muçulmana, insultar o profeta e incitar a conflitos sectários". (*Com Reuters e AFP)

Veja Também...........

filme do Profeta Mohamed............... Charges Sangrentas de Maomé - Documentário 3 / 5 Charges do profeta do Islã foram publicadas em um jornal dinamarquês em 2005 e provocaram a ira de muçulmanos. Durante a crise dos "cartoons morreram mais de 150 pessoas e os seus cartunistas foram condenados a morte por fundamentalistas islâmicos. Por trás da controvérsia gerada pelo caráter ofensivo atribuído às caricaturas, este documentário filmado em vários países como Líbano, Irão, Síria, Qatar, França, Turquia e Dinamarca, inclui depoimentos de algumas das pessoas que tiveram papéis relevantes nessa história, mostrando também como foi manipulada a escalada de violência e política mundial. As 12 charges levaram um pequeno país a confrontar-se com os muçulmanos de todo o mundo. O filme Bloody Cartoons, dirigido por Karsten Kjaer, é uma produção do projeto Por que Democracia? - em inglês, Why Democracy? Debate a importância da liberdade de expressão. Respeito à fé ou imprensa livre? Deus é democratico? . Narrado e legendado em português de Portugal . Download 483MB AVI http://www.megaupload.com/?d=BMBSRW15 Caricatura mostra Maomé nu A revista satírica francesa Charlie Hebdo publicou nesta quarta-feira uma série de desenhos representando o profeta Maomé. A edição foi esgotada rapidamente, apesar do receio de que possa inflamar ainda mais as tensões no mundo muçulmano, envolto em protestos contra um filme que teria sido produzido nos Estados Unidos e que ofenderia a fé islâmica. Filme Polemico 'A inocência dos muçulmanos' (Innocence of Muslims) O filme norte-americano "Innocence of Muslims" ("A inocência dos muçulmanos"), que retrata o Profeta Maomé como um homem corrupto, depravado e pedófilo, está provocando uma grande onda de violência contra as embaixadas americanas na Líbia, no Egito e no Iêmem. Innocence of Muslims" (A Inocência dos muçulmanos, em tradução livre), filme produzido nos Estados Unidos sob a suposta direção de Nakoula Basseky Nakoula. Ele seria um cristão copta egípcio residente nos Estados Unidos, mas sua verdadeira identidade e localização ainda são investigadas. O filme, de qualidades intelectual e cultural amplamente questionáveis, zomba abertamente do Islã e denigre a imagem de Maomé, principal nome da religião muçulmana. A Casa Branca lamentou o conteúdo do material, afirmou não ter nenhuma relação com suas premissas e ordenou o reforço das embaixadas americanas. 


 Dirigido e produzido por Sam Bacile. Filme completo, sem cortes.Assista a um pequeno trecho. Vejam aqui revolta no planeta inteiro:
http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2012/09/filme-que-provocou-manifest...
Leiam esse:
http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2012/09/embaixador-dos-eua-na-libia...

sábado, 18 de agosto de 2012

Religião é dinheiro?


 

“Há mansões nesse lindo país”. O hino evangélico foi levado ao pé da letra quando pastores passaram a adquirir casas luxuosas na Flórida e no Brasil. Condomínios de luxo, prédios em bairros nobres, compõem o patrimônio da corrupção. Não só, porque dízimos e ofertas geram proventos de milhões para os parentes dos dirigentes e laranjas eclesiásticos que levam dinheiro para contas no exterior. Uma família milionária distribui as benesses a privilegiados  (A Gazeta, ES – 08/fev/2012).  

Nas semanas que antecedem a Páscoa de 2006, em Vitória (ES), diante das câmeras, um líder era preso pela Polícia Federal, juntamente com um suplente de senador, do bloco evangélico no Congresso Nacional (A Gazeta 8/mar/2006). Era trancafiado enquanto exibia um exemplar da Bíblia diante das câmeras. A acusação era de roubo ao erário e formação de quadrilha, estava ligado a um senador também evangélico. “Usam-se igrejas como fachadas, e como negócios religiosos”, sugeria o jornal. Também na Quaresma, 2012, no mesmo estado e região, a Igreja Cristã Maranata e a Assembleia de Deus  passam por investigação policial e pelo Ministério Público Federal pelos mesmos motivos.

Para os novos evangélicos, “religião é dinheiro”, enquanto cometem abusos (evidentemente consentidos) contra a comunidade de fieis. O momento é identificado como “grandes igrejas, grandes negócios”.  É possível conceber passivamente, sem indignação, a existência de “profissionais da santidade” – pessoas destacadas e separadas para a busca pessoal do “estado de perfeição espiritual”, como querem os evangélicos dessas denominações? Preocupações com a honestidade civil, cidadania, justiça e a solidariedade para com os fracos, desaparecem enquanto a “graça” materializada em moeda sonante é distribuída por mãos levianas? O “perdão” eclesiástico, obtido em prestações, dízimos e ofertas compulsórias, cessa quando o fiel para de pagar, ou ele tem que se endividar mais para continuar no sistema?

A polícia investiga o enriquecimento ilícito na Igreja Cristã Maranata, a partir de denúncias vindas de descontentes dentro da mesma. A direção do império evangélico, tentando abafar o assunto, protocolou uma ação na justiça de valor extremamente baixo. Traindo a cúpula, agindo em proveito próprio, o administrador do caixa único foi “descoberto” e acusado na justiça de um desvio de pouco mais de 2 milhões de reais. Uma auditoria externa, porém, para o acerto de contas interno, teria constatado um valor superior a 20 milhões somente nos últimos dois anos. A ação corria em segredo de justiça, mas vazou. A tv e a imprensa escrita publicam os desdobramentos da denúncia pública, desmentindo seguidamente as declarações oficiais da igreja em matérias pagas.  

O Ministério Público passa a investigar a denominação. Um caso de polícia, na procura de criminosos espertalhões (que se defendem contratando raposas especializadas no crime organizado há anos). Seria uma tarefa relativamente fácil para a polícia, uma vez que o centralismo da direção numa mesma família milionária permitiria constatar, por meios legais, a fonte de enriquecimento de cada um de seus membros, e expressivos registros patrimoniais à custa dos fieis. Contratados pela cúpula, parentes chegam a ter proventos de 4 milhões (Gazeta Online 12/fev/2012). No “baixo-clero”, porém, não há salários. Como mariposas em torno do alto clero, um rebanho denominacional dos maiores do país é orientado a recusar a “infâmia da imprensa sensacionalista”. Mas esta fornece provas chocantes, de que a denominação evangélica funcionaria como um banco clandestino.  

As perguntas estão no ar: por que o pastor vice-presidente não foi expulso de imediato, descoberto com a boca na botija, como se faz com fieis que cometem infidelidades e desvios bem menores? O vice-presidente seria um arquivo vivo, detentor de informações que envolvem o grupo diretor por inteiro? Se a igreja arrecada perto de 500 milhões por ano, prestações de financiamentos internos (habitação, veículos, planos de saúde etc.), dízimos e ofertas, sem distinção, por que se preocuparia com uma ninharia de 2 milhões desviados? O esquema envolve quantos, dos quase três mil pastores do movimento, e apoiadores políticos, congressistas, deputados e vereadores locais? Como, por anos a fio, a corrupção das lideranças teria passado despercebida, levando-se em conta a movimentação milionária através dos anos, sem o conhecimento das demais lideranças? Onde entra o Banco Central e a Constituição Federal? Seria possível uma comparação à prática comum no pentecostalismo dos últimos 40 anos, no Brasil, em negócios religiosos “livres” de obrigações fazendárias? Investigarão também a Assembleia de Deus, denunciada por uma fraude espetacular, na Grande Vitória (ES)?

O movimento neoevangélico pentecostal surgiu há quatro décadas, exatamente no momento em que denominações históricas (iniciadas por volta de 1850/70, século 19), começavam a rachar. Igrejas batistas, congregacionais, metodistas, presbiterianas, episcopais anglicanos, pertencentes ao período conhecido como “protestantismo de missões” – denominado histórico –, são atingidas pelas primeiras divisões pentecostais a partir de 1960. A Assembleia de Deus inaugurara o movimento pentecostal em 1910, e juntamente com a Congregação Cristã do Brasil (1912), construiu-se à parte das missões protestantes norte-americanas.

Bem-sucedido, o pentecostalismo anárquico, sem vínculo denominacional, das últimas quatro décadas – centenas de “igrejas de dono”, ou famílias –, também comprometeu a identificação “evangélica” e “pentecostal” por inteiro. As denominações evangélicas históricas, até o momento, têm passado ao largo da corrupção sistemática nesse cenário. Mais temas para a pesquisa da história social do protestantismo. O último censo do IBGE (2010) aponta, por estimativa, 31% de crentes evangélicos, hoje, no Brasil. Apenas 5% dos evangélicos brasileiros pertencem ao protestantismo histórico não-pentecostal. 

A partir da Assembleia de Deus (a AD mais recente, fique claro, é ligada visceralmente à comunidade assembleiana nacional), Igreja Universal do Reino de Deus; Igreja Internacional da Graça, Igreja Internacional do Poder Deus, Igreja Batista da Lagoinha, Comunidade Sara Nossa Terra, Renascer em Cristo etc, apareceu o prefixo “neo” para os pentecostais dos afluentes das últimas décadas. Impérios eclesiásticos se formam, com uma movimentação financeira gigantesca que o fisco não alcança, controlados por famílias, ou clãs evangélicos, desde a fundação. 

O movimento pentecostal da Maranata é discreto e contundente, diferente das denominações midiáticas, exuberantes, recentes. Sua ênfase na santidade e avivamento esconde o verdadeiro objetivo a alcançar? Sem dúvida, é um sucesso empresarial, entre outras. Aparentemente, estas denominações são altamente organizadas, e de eficiência inegável na arrecadação, conforme os números e nas estatísticas. Escândalos permanentes e recentes, porém, mostram a face oculta desse movimento vitorioso.
Leia mais:

 
É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor do livro “O Dragão que Habita em Nós” (2010).
+Ética e Comportamento  +Igreja e Liderança 1.] ( ; " � �� Judas e a sacolinha 
 
É pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e autor do livro “O Dragão que Habita em Nós” (2010).